Roger Waters enfrenta possível prisão por apoio ao Palestine Action



Ex-Pink Floyd declarou solidariedade ao grupo pró-Palestina recém-classificado como organização terrorista  



O lendário músico britânico Roger Waters, cofundador do Pink Floyd, voltou a protagonizar uma polêmica que transcende os limites da arte e se tornou uma questão de Estado. Conhecido há décadas por seu engajamento político, Waters se manifestou novamente em favor da causa palestina. Entretanto, desta vez, a sua declaração pública pode custar muito caro.

No último sábado (5), o governo do Reino Unido classificou oficialmente o Palestine Action como uma organização terrorista. A decisão foi tomada após integrantes do grupo invadirem uma base militar britânica e danificarem dois aviões, num protesto contra o apoio do país à ofensiva israelense em Gaza. O grupo alega que o Reino Unido é “cúmplice e participante ativo no genocídio de Gaza”. As ações de boicote e sabotagem, segundo as autoridades, ultrapassaram os limites da manifestação política e configuraram crimes graves contra a segurança nacional.




No mesmo dia em que a nova classificação entrou em vigor, Roger Waters publicou um vídeo nas redes sociais declarando seu apoio incondicional ao Palestine Action. No registro, ele segura um cartaz que diz:

“Roger Waters apoia o Palestine Action. O Parlamento foi corrompido por agentes de uma potência estrangeira genocida! Levantem-se e sejam ouvidos. É agora!”

O gesto foi interpretado como violação direta do Terrorism Act 2000, legislação que regula crimes de apoio e promoção de organizações terroristas no Reino Unido. De acordo com o Artigo 12 dessa lei, é crime convidar outras pessoas a apoiar ou manifestar opinião favorável a um grupo considerado terrorista. A pena prevista pode chegar a 14 anos de prisão e multa.

Apesar da gravidade do risco legal, Waters demonstrou absoluto desprezo pela ameaça de punição. Na legenda do vídeo, escreveu que aquele era seu “momento ‘Eu sou Spartacus’”, em referência ao filme clássico em que várias pessoas se levantam para assumir a identidade do protagonista, desafiando uma autoridade opressora. Ele encerrou com uma declaração contundente:

“Declaro minha independência do governo do Reino Unido, que acaba de classificar o Palestine Action como uma organização terrorista proscrita.”

A postura desafiadora reflete o histórico de Waters como artista militante. Ao longo dos anos, ele utilizou seus shows e sua visibilidade internacional para denunciar o que chama de injustiças globais, especialmente a situação do povo palestino sob ocupação israelense. Entretanto, seus críticos o acusam de cruzar a linha entre protesto legítimo e incitação ao extremismo.

Enquanto a controvérsia cresce, Waters também se prepara para lançar um novo projeto audiovisual. Gravado em maio de 2023, na O2 Arena, em Praga, o filme-concerto “This is Not a Drill: Live From Prague – The Movie” chegará aos cinemas do mundo inteiro – inclusive no Brasil – nos dias 23 e 27 de julho. O espetáculo é descrito como uma “chamada à ação global” e combina clássicos do Pink Floyd com canções da carreira solo, como “Amused to Death” e “Is This the Life We Really Want?”.



Dirigido pelo próprio Waters e por Sean Evans, colaborador de longa data, o projeto é dedicado “aos nossos irmãos e irmãs em todo o mundo que estão engajados na batalha existencial pela alma da humanidade”. A turnê “This is Not a Drill” reafirma seu compromisso com causas políticas, mesmo diante de investigações e potenciais processos criminais.

Resta saber se o músico será formalmente acusado e, se condenado, se o Reino Unido aplicará a lei na íntegra contra uma das figuras mais influentes da história do rock. O episódio evidencia o embate cada vez mais intenso entre liberdade de expressão e medidas antiterrorismo, tema que promete novos desdobramentos nos próximos meses.